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O talento com o bisturi e as incursões pelo mundo das letras já renderam bons frutos editoriais nas mãos do cirurgião plástico Moisés Wolfenson. Criações literárias e trabalhos científicos de sua autoria dividem a estante com títulos que mesclam conteúdo técnico e abordagem artística, em obras que extrapolam o público específico da área. Transformações – Arte e Cirurgia Plástica (2002) e Metamorfose – A Beleza ao Alcance de Todos (2004) foram os precursores nessa linha. Agora, o autor lança Um Século de Cirurgia Plástica no Brasil – Mestres Vivos da Cirurgia Plástica e suas Escolas (Imagens da Terra Editora), leitura obrigatória para seus pares e indispensável aos que apreciam a história narrada de forma crítica, humana e precisa. Em linguagem fluente, o livro convida à reflexão sobre os passos da especialidade no país, traçando um painel da cirurgia plástica brasileira desde seus primórdios, nos tempos do Império, até os dias atuais. A interdependência entre história, ciência e tecnologia permeia toda a obra, que adquire maior vigor ao retratar quatro ícones que, definitivamente, influenciaram o desenvolvimento da área no Brasil e no mundo – Ivo Pitanguy, Antônio Estima, Perseu Lemos e Paulo de Castro. “Além de razões de natureza pessoal e sentimental, a escolha dos biografados se justifica pela representatividade desses ícones no cenário nacional. Juntas, suas escolas médicas representam quase 60% dos cirurgiões plásticos em atividade no Brasil”, afirma Moisés Wolfenson. O autor privilegiou também a diversidade regional, uma vez que os profissionais retratados têm forte atuação em seus Estados de origem – Pitanguy no Rio de Janeiro, Castro em São Paulo; Estima no Rio Grande do Sul e Lemos, conterrâneo e mentor de Wolfenson, em Pernambuco.
Com 240 páginas, Um Século de Cirurgia Plástica no Brasil... reúne farto material fotográfico, boa parte cedida pelos próprios biografados. Não são fotos propriamente médicas, mas sim flashes do cotidiano pessoal e profissional das quatro personalidades. “Trata-se de um arsenal que ajuda a compreender a personalidade de cada um, seus valores e crenças”, observa Moisés Wolfenson. Segundo o autor, há desde imagens curiosas, como a de uma aula de anatomia com o Dr. Estima em 1947, até cenas históricas. Entre essas, ele destaca as fotos de Perseu Lemos durante o 1° Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica, as da inauguração do Hospital dos Defeitos da Face, iniciativa de Paulo de Castro, e o retrato de Ivo Pitanguy sendo cumprimentado pelo Papa João Paulo II, em reconhecimento ao trabalho desenvolvido com crianças portadoras de deformidades. As contribuições dos quatro médicos, tanto para a cirurgia estética quanto corretiva, são descritas em linguagem inteligível, permitindo ao leigo uma compreensão das técnicas que caracterizam as diferentes escolas. “Busquei desenvolver uma narrativa acessível, sem ofuscar o brilho e o interesse do tema, nem limitar seu alcance. Ao contrário: para os cirurgiões plásticos, a obra sistematiza conhecimentos e amplia a visão acerca da especialidade, reafirmando a ética e o valor de uma atuação humanitária”, conclui Wolfenson. Um Século de Cirurgia Plástica no Brasil – Mestres Vivos da Cirurgia Plástica e suas Escolas Moisés Wolfenson Imagens da Terra Editora 240 páginas - R$ 100,00 |
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