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O V Congresso Nacional da Associação
Médico-Espírita do Brasil foi realizado em São Paulo,
em três dias de discussões (26 a 28 de maio) sobre medicina,
ciência e espiritualidade no cuidado com o paciente. Participaram
850 profissionais de saúde de todo país, 45 palestrantes
em 41 palestras, que mostraram as mais recentes pesquisas e as terapêuticas,
discutiram a ética diante dos avanços da medicina e novos
paradigmas do medico espírita. O médico americano Harold Koenig, pesquisador e maior autoridade em medicina e espiritualidade, mostrou seus estudos que confirmam: o paciente que faz e recebe preces consegue maior êxito no tratamento de saúde e no processo de cura. Reiterou, também, que o médico que segue uma religião, consegue abordar aspectos religiosos com mais facilidade e tem uma visão mais holística do paciente.O evento terminou com a divulgação da “Carta S.Paulo de Princípios de uma Bioética Espírita”, documento da entidade que se posiciona contra o uso de embriões congelados para experiência cientifica, contra o aborto (inclusive de anencéfalos), contra a pílula do dia seguinte e contra a eutanásia e a distanásia. Em relação ao aborto: Nosso paradigma é o personalista espírita (contempla a dignidade ontológica, a partir do zigoto, onde inicia a vida) a vida é um bem indispensável, uma doação. O Ser Supremo, que a doa, está presente no micro e no macroscópico. Verdades evidenciadas nas pesquisas científicas, tanto pela origem da vida, quanto da embriogênese e psiquismo fetal, tendo em vista que os cientistas não definiram o que é vida e não conseguiram cria-la em laboratório. Somos contrários a qualquer método que interrompa a vida no processo “continuum zigoto-velho”, inclusive ao uso da pílula do dia seguinte e do “DIU”. Em relação à eutanásia, distanásia e ortotanásia: Somos contrários a qualquer meio intencional que antecipe a morte do ser humano, somos contrários a distanásia, entendendo-a como prolongamento da vida, por uma obstinação terapêutica ou diagnóstica, através de meios artificiais ou não, de forma precária e inútil, que não traz benefícios imediato ao paciente, levando-o a uma morte agoniada e com muito sofrimento orgânico, psíquico e espiritual. somos a favor da ortotanásia, entendendo-a como a morte no tempo certo, com apoio psicológico, religioso e familiar, sem dor, sendo respeitada sua autonomia (crenças, medos, desejos e esperanças), tendo como lema “viver dignamente e morrer sem dor”, pois, a morte do paciente terminal não representa falha do tratamento médico e sim uma fase enriquecedora de experiências no processo evolutivo do espírito. Em relação às células-tronco:considerando que as pesquisas com células-tronco embrionárias são incipientes, com alto risco de originarem tumores, eticamente discutíveis, passíveis de provocar rejeição e realizadas com esquecimento da possibilidade da existência de vida espiritual, somos contrários à sua utilização. considerando que as pesquisas mais recentes têm mostrado maior potencialidade das células-tronco adultas e com menor risco de rejeição ou de provocar tumores e já com bons resultados nas leucemias, cardiopatias, AVC, etc, somos favoráveis à sua utilização. Em relação aos fetos anencefálicos:considerando que o chamado anencéfalo tem preservadas diferentes partes do encéfalo, tais como: tronco encefálico, região talâmica e até mesmo porções do córtex cerebral, responsáveis pelo controle automático de funções viscerais como os batimentos cardíacos e capacidade de respirar por si próprio, ao nascer; considerando que para alguns cientistas, o tronco encefálico e porções adjacentes de regiões mais profundas do cérebro representam substrato de ligação com a mente e a consciência (postura que sinaliza a presença do espírito); Decidimos que somos contrários ao aborto do anencéfalo, pois não podemos reduzi-lo a uma “coisa descartável”, reconhecendo seu direito à própria vida. Associação Médico-Espírita do Brasil. V Congresso Nacional Médico-Espírita. São Paulo, 28 de maio de 2005. |
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