Evento realizado
A Pinacoteca de São Paulo esteve com uma exposição inusitada em suas dependências. O local, que abriga pinturas, esculturas, desenhos, gravuras e fotografias, agora conta também com duas obras que utilizam espécies vegetais no pátio interno. As instalações Contenção Verde e Botânica SP, do artista plástico e paisagista Fernando Limberger, reúnem árvores, arbustos e sementes que se desenvolverão aos olhos dos visitantes durante os três meses em que ficarão naquele espaço. Para garantir que essa vegetação cresça de forma saudável, o artista conta com o apoio da Regatec, empresa com ações focadas na sustentabilidade dos recursos naturais, e que é responsável por todo o sistema de irrigação do projeto.

O intuito do projeto é provocar uma reflexão sobre o relacionamento do homem com a natureza no espaço urbano. Um dos diferenciais da exposição é a possibilidade do público acompanhar a mutação natural da paisagem. A obra Botânica SP consiste numa grande sementeira, na qual o artista reuniu 180 espécies de sementes que coletou em expedições feitas em São Paulo, e nela o verde já começa a aparecer.  “As sementes, que inicialmente estavam escondidas sob uma fina camada de areia cinza, que simula a aridez da cidade, já começaram a brotar. Cerca de 60 espécies já estão germinando e a ideia é que o público possa acompanhar a evolução dessas plantas”, conta o paisagista.

Já a obra Contenção Verde une em um mesmo espaço cerca de 30 espécies entre arbóreas e arbustivas nativas e exóticas, que formam um grande volume verde cercado por grades de ferro também pintadas na cor verde, como aquelas presentes nos parques da cidade. “O trabalho tematiza sobre como as áreas verdes são segregadas na cidade de São Paulo. Na instalação as setas das grades estão voltadas para dentro com sentido irônico de impedir que a vegetação possa vir a invadir área externa”, explica Fernando Limberger.

Sistema de irrigação sustentável – As obras demandam de três itens essenciais para a sobrevivência, como qualquer vegetação: terra, luz solar e água. Limberger explica que, além do solo preparado e da escolha de um local que recebesse luz natural, foi preciso projetar um sistema de irrigação especial para completar trabalho.

A Regatec, empresa que atua há 26 anos no mercado brasileiro, com processos e ferramentas focadas na preservação dos recursos, como água e energia, é apoiadora deste projeto e responsável pela irrigação sustentável nas obras. Segundo Danny Braz, engenheiro e diretor técnico da Regatec, as duas instalações contarão com sistemas de irrigação automatizada, que garantem o crescimento saudável das plantas e a economia de água durante todo o processo.

Para garantir a preservação dos elementos naturais da exposição, sistemas de irrigação distintos foram instalados pela Regatec no local. A Contenção Verde conta com o gotejamento, que não fica visível e está programado para manter a terra úmida durante a noite. Conta também com aspersores que fazem parte da instalação, pois ficam no alto da Pinacoteca e regam as plantas três vezes ao dia, em horários em que o público pode apreciar, como forma de representar a chuva e sua importância para a vegetação.

Já a sementeira do Botânica SP, que tem um tamanho de 3 por 5,4 metros, conta com aspersores programados para regar cinco vezes por dia as espécies ali plantadas. Segundo Danny Braz, a automação faz com que a irrigação mantenha a sementeira nas condições ideais de umidade, sem desperdício de água, para que os brotos cresçam saudáveis.

A Regatec é credenciada a operar em obras que demandam as certificações internacionais LEED, AQUA e o selo EPA (U.S. ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY), o que evidencia o comprometimento da empresa com o meio ambiente. É filiada ao Irrigation Association (IA), Associação Brasileiras dos Arquitetos Paisagistas (ABAP), Associação Nacional do Paisagismo (ANP), Green Building Council Brasil (GBC Brasil) e CREA.

Sobre o artista – Fernando Limberger nasceu em Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, em 1962. Vive e trabalha em São Paulo. Artista visual e paisagista, iniciou sua pesquisa artística nos anos 80, quando começa a trabalhar em diferentes meios, como desenho, pintura, escultura, instalação e intervenção, muitas vezes em parceria com outros profissionais. Sendo a natureza e seus desdobramentos tema recorrente em seus trabalhos, a partir dos anos 2000 passa a desenvolver projetos em paisagismo para espaços públicos e privados. Apresentou as exposições Verde e Amarelo, no Centro Cultural São Paulo (2008); Contaminação Cromática, na Praça Victor Civita, São Paulo; Desmoronamento, Azul, no Centro Cultural do Banco do Brasil, Rio de Janeiro (2015). Nos últimos anos participou da 1ª e 8ª Bienal do Mercosul (1997, 2011); Ecológica, no MAM SP (2010); Arte Praia, Casa da Ribeira, nas Praias da Redinha e do Forte, Natal (2013, 2014); Camada Superficial, Oficinas Culturais, na Praça Frei Baraúna, Sorocaba (2014); e Coaty Ocupação Artística, no Centro  Histórico de Salvador (2016). Recebeu a Bolsa Ivan Serpa  – INAP/FUNARTE (1987); o Prêmio Espaço Urbano Espaço Arte, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre – escultura instalada no Parque Marinha do Brasil (1992); e o Prêmio incentivo – Projeto Um Jardim para o Jardim Miriam, Brazil Foundation (2005) para projeto realizado no bairro Jardim Miriam, São Paulo. Foi membro do grupo Arte Construtora que atuou nos anos 90 nas cidades de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro.

Pinacoteca de São Paulo (Praça da Luz, 2). Estacionamento gratuito. A exposição fica aberta de quarta a segunda-feira, das 10 às 17h30 – com permanência até às 18h. Os ingressos custam R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Crianças com menos de 10 e adultos com mais de 60 anos não pagam. Aos sábados a entrada é gratuita para todos os visitantes. Tel: (11) 3324-1000
www.pinacoteca.org.br