Roteiro de Artes

Data
Evento

Até 19 de maio





Expedições

“Por que expor, é a pergunta que sempre me fazem”, diz Golda Kocubej Soriano, que acaba de completar 70 anos, e prepara sua primeira exposição de obras visuais, criadas a partir de técnicas exclusivas, desenvolvidas com base em  experiências e habilidades pessoais. A mostra "Expedições" traz desenhos, colagens, pinturas, aquarelas, bordados, em 60 trabalhos, com interferências em Matisse, na Cabala, em alegorias, ícones e ídolos como Edith Piaf, e literatura – títulos das obras fazem referência aos contos do russo Vladimir Nabokov,  “ A carta que nunca chegou à Rússia”, “O Dom”,“Terra Incógnita”, entre outros. Aulas de desenho e pintura despertaram esse encantamento com os materiais, então veio um forte impulso para a produção”, explica Golda, cuja obra é vista como “lúdica e bem-humorada” pelo curador Dan Fialdini: “Costuras e bordados expressam fortes emoções, com crítica mordaz e grande bagagem cultural, presentes nessa obra surpreendente.” Tudo começou com um Ipad que ganhou de um filho: passou a desenhar em touchscreen e trocar mensagens com a família (filhos e netos) através de desenhos. Depois, começou a imprimi-los em tecido e bordar – aulas de bordados, na época do ginásio e também recentemente, ajudaram: “ Eu desenhava na tela, enviava para a gráfica, imprimia, aí sim, pintava, bordava e colava”, comenta a artista, empolgada com seus emaranhados, lenços, cigarros, objetos de família, enfim, seu rico universo, ancestral e contemporâneo, generosamente estampado nas obras.

Dois Livros
Golda Kojubej Soriano estudou na PUC de São Paulo, Letras Francesas. Publicou dois livros, produzidos praticamente em família, com ajuda de todos. O primeiro, para o primeiro neto, quando fez 13 anos, " Elos", conta a história da família, recordações da infância, com uma apurada pesquisa das respectivas origens genealógicas. Nesse projeto, Golda foi instigada também por uma curiosidade da biografia de seus pais: a mãe veio com 7 anos para São Paulo, de Luzc, cidade russa que desapareceu durante bombardeios da segunda guerra. O pai nasceu na mesma cidade, mas vieram a se conhecer em São Paulo. A escritora teve a sorte de localizar, na capital paulista, uma senhora que nasceu em Luzc também, e prestou grande contribuição: “ Fiz uma pesquisa de história oral porque não encontrei mais nada escrito sobre essa terra natal”, explica . O segundo livro,  “Ainda ontem” ou “o livro dos guardados”, foi para a neta, quando fez dezoito anos. Em dois volumes, Golda reuniu desenhos, fotos, recortes, lembranças, poemas, que contam a história do relacionamento avó-neta. Aos 70, perseverar: “Trabalhar ainda mais com as mãos, iniciar novos caminhos, me expressar”, completa Golda Kocubej Soriano.

Galeria Arte Infinita - Rua Mateus Grou, 629 - Pinheiros - São Paulo, SP - Fone: 11 3032 3151 - Dias e horários de funcionamento:  2ª a 6ª das 10 às 18 hs; aos sábados, das 10 às 14 hs.
De 19 de junho
Até 7 de julho


Exposição “Rosália Lerner - 35 anos de Aquarela”

A artista Rosalia Lerner celebra 35 anos de trajetória artística com uma exposição de aquarelas e desenhos de sua produção mais recente. “Os trabalhos desta exposição partiram do estímulo da textura do papel proveniente da fibra das bananeiras. Ao experimentar o efeito da pintura sobre este suporte passei a recolher folhas, às vezes logo após a chuva, no chão de terra e nas calçadas. No processo de secá-las, nasceu uma determinação em representar na técnica da aquarela e no grafismo em nanquim as cores, linhas e tramado das folhas”, conta Rosalia Lerner.
A ARTISTA
Rosalia Lerner interessou-se por artes plásticas ainda na infância, incentivada pelos professores e por sua família, cursou Desenho e Plástica no começo da década de 1970 e a partir de 1977 - após ganhar de presente um estojo de aquarela do artista Antônio Cabral- passou-se a dedicar à pintura profissionalmente.
A GALERIA
A Fibra é um espaço para difusão de arte, cultura e troca de conhecimento. Instalada no Pacaembu, na cidade de São Paulo, a galeria abriu suas portas em fevereiro de 2012 apresentando novos talentos . A Galeria apresenta exposições - individuais e coletivas -, performances, entre outras manifestações artísticas, além de promover encontros culturais e workshops. A Galeria conta ainda com espaços para eventos, cursos e com uma loja de artes.
Artistas representados: Anderson Hope , Caio Machado , Edu Cardoso , Fernando Emanuel, Fredone Fone , Guilherme Zoldan , Lídia Lisboa , Lindonês, Pablo Casado , Ronah Carraro , Rosália Lerner e SUBTU
Artistas do acervo: Leon Ferrari, Tomie Ohtake, Aldemir Martins, Harry Elsas, Mavigner, Toyota, Fang, Flávio Rossi, entre outros.

Fibra Galeria - Rua Tupi, 792 – Pacaembu – São Paulo – SP - Funcionamento: Segunda a sexta das 11h às 19h. Aos sábados das 11h às 16h -Mais Informações: 2478-3688 - www.fibragaleria.com.br
De 21 de maio
Até 16 de junho


Pelé

A mostra, com curadoria de Felipe Hegg e Paulo Kassab Jr. , exibe um conjunto de 28 imagens de registros históricos dos primeiros 10 anos da trajetória de Edson Arantes do Nascimento – Pelé , tanto como atleta como em momentos de sua vida pessoal. Exposição:  Pelé – José Dias Herrera e Alexandre Urch ; intervenções de Claudio Tozzi , Felipe Morozini , Florian Raiss , Gal Oppido , J.C. Canato , Marcelo Cipis e Paulo von Poser. Curadoria: Felipe Hegg e Paulo Kassab Jr.

 Lume Photos - Rua Joaquim Floriano, 733 - 2º andar – Itaim Bibi – São Paulo, SP - Tel.: (11) 3704.6268 – visitas agendadas – www.lumephotos.com - Horário: segunda a sexta das 10h às 20h, sábado das 10h às 14h
De 23 de maio
Até 23 de junho


A artista plástica Adriana Conti Melo abre exposição individual na galeria Central/Ímpar, na Vila Madalena, em São Paulo. Lá ela apresenta a nova fase de seu trabalho, em que os objetos da intimidade, usados no dia-a-dia, dão lugar para um questionamento mais arquitetônico e a uma reflexão sobre a influência das cores na percepção humana de lugar.

Adriana Conti Melo, que já participou de exposições coletivas no Brasil e no exterior, integra um dos mais conceituados polos de discussão de arte do país, o Ateliê Fidalga, coordenado pelos artistas Sandra Cinto e Albano Afonso. O espaço, que tem fama internacional — acaba de ser destaque em reportagem do The New York Times —, além de interagir com outras instituições, permite a convivência e troca de experiência entre artistas jovens e mais tarimbados.

A primeira exposição individual de Adriana Conti Melo vai até o dia 23 de junho. Essa será a última da atual fase da galeria, já que no segundo semestre a Ímpar inaugura novo e mais amplo espaço.

Galeria Central / Impar - Rua Mourato Coelho, 1017 - Vila Madalena,- S ão Paulo - SP

De 29 de Maio
Até 4 de Junho



Á Cor da Pele

Iniciante nas artes plásticas, o jovem artista retrata uma parte das suas influências com obras inspiradas em tatuagens, principalmente nos estilos old e new school, que fez parte de várias gerações de admiradores desse conceito com ilustrações de caveiras, navalhas e muitos outros símbolos

Na exposição "Á Cor da Pele" é apresentado por Abdalla uma série de quadros onde famosos como Marilyn Monroe, Elvis Presley e Che Guevara são retratados com diversas tatuagens que, na imaginação do artista, seriam os desenhos que essas celebridades imortalizariam em suas peles. Em outras obras serão representadas essas influências da " velha escola" do mundo dos tatuados e traz para as telas o estilo e as características marcantes dessa vertente das artes plásticas.

Bar Kabul - Rua Pedro Taques, 124 - entre a Bela Cintra e Consolação - Abertura dia 29/05 com show da banda Os Augustos
Entrada: R$15,00 ( na porta) ou R$10,00 (nome na lista reservas@kabul.com.br

Até 2 de Junho


"Lux Tenebris"

A primeira mostra individual de Bruno 9li (pronuncia-se Novelli) na galeria. Ocupando a totalidade do espaço expositivo da LOGO, pela primeira vez sem divisórias, 9li exibe sua própria origem de universo através de 12 pinturas sobre tela e duas esculturas em látex e resina. Bruno 9li explora referências e técnicas da pintura gótica associadas a uma investigação  de conceitos da física quântica e da astrofísica contemporâneas. Em Lux Tenebris a matéria se revela em várias dimensões, gerando polaridades e dinâmicas. Mesmo estático, o novo corpo de obras evoca movimentos e sons que são, em parte, orientados pelo trabalho anterior do artista em vídeo, agora emulado pela pintura.

Entre os novos trabalhos está um tríptico, medindo mais de sete metros, que constrói uma narrativa orquestral e metafísica, posicionando-se como centro de uma grande nave. No entorno, as telas com foco metagráfico se aproximam da ideia da pintura como um fluxo vibrátil, remetendo aos grafismos de culturas primitivas. Os portais, formados pela figuração de blocos de mármore laminados, são como chaves e ao mesmo tempo enigmas sobre os minerais e a formação da matéria. Na escultura, ele materializa a ideia da arraia como radar vivo, planador sensível e ser de nosso mundo, mas que parece vindo de outra dimensão. Em linhas gerais, Lux Tenebris marca a introdução de novas técnicas à obra e novos elementos ao imaginário do artista, algo como um salto quântico dentro de sua produção.

Artista formado pela Universidade Autoindicada por Entidades Livres, Bruno 9li é natural de Fortaleza, cresceu e iniciou sua carreira em Porto Alegre e atualmente vive em São Paulo. Fez sua primeira individual na capital gaúcha em 2006, que foi seguida por uma série de exposições internacionais, em países como Argentina, Inglaterra, Dinamarca, Espanha, Japão e Estados Unidos. Em dezembro, ainda nesse ano, o trabalho de 9li poderá ser visto no MAC Dragão do Mar, em Fortaleza, em sua primeira individual de museu.

galeria LOGO - Rua Artur de Azevedo, 401 - São Paulo – SP - tel (11) 3062-2381 - de terça a sábado, das 11h às 19h - www.galerialogo.com

Até 2 de Junho





Fotógrafos Contemporâneos

As fotografias exibidas na coletiva foram selecionadas por uma comissão curatorial formada por Douglas Mendonça, Rafael Costa e Prof. João Spinelli. Além dos trabalhos impressos, a exposição ainda disponibiliza outras obras dos artistas convidados em monitores e iPads, junto com uma entrevista onde cada um fala sobre o seu trabalho e suas inspirações. 

As obras que fazem parte dessa mostra são um pequeno resumo da carreira dos profissionais participantes, trazendo aquilo que cada um considera como sendo o que há de mais representativo em suas respectivas trajetórias.Todas as obras estarão `a venda e e 100% do lucro será revertido para a  TUCCA  (www.tucca.org.br), associação sem fins lucrativos que oferece assistência multidisciplinar a crianças e adolescentes carentes com câncer.

Espero que você goste desta exposição tanto quanto eu gostei de produzi-la. Entre nela com o coração e a mente abertos, conheça um pouco da vida e da obra dos fotógrafos e as ações da TUCCA. Saia desta exposição um pouco mais completo, tanto na arte quanto na filantropia. (Paulo Varella)

Shopping Granja Vianna - Rodovia Raposo Tavares km 23,5 - Horário: segunda a sábado das 10h às 22h, domingo das 14h às 22h


Até 2 de Junho








“Essência”

Casarão que abrigou Consulado da Rússia no Jardim Europa é ocupado por 4 artistas que debatem o inconsciente. A Braind4ideas – Hub de Comunicação e Arte apresenta a exposição coletiva Essência, composta por fotografias, cerâmica, joias e grafite dos artistas brasileiros Cacá Meirelles, Jadde Flores, Patrícia Centurion e do duo colombiano 9polar. A mostra tem organização de Cristina Tolovi.

Instalada em um casarão no Jardim Europa, que já abrigou o consulado da Rússia, a Braind4ideas, inaugura seu espaço expositivo com ambientes externos e áreas internas. “A Brain nasceu como uma agência de comunicação, depois começou organicamente o co-working e hoje amplia seu foco para a área cultural.”- disse Dirceu Neto, proprietário da Brain4ideas.

“Essência” descortina um universo de imagens inquietantes que dialogam com o inconsciente. As fotografias de Cacá Meirelles se utilizam da realidade para construir paisagens que transmitem sentidos e misticismo. Jadde Flores exibe série de pinturas sobre azulejo habitadas por figuras exóticas, que retratam os estados primitivos e irracionais do ser humano. O casal colombiano 9Polar (Nueve Polar) cria um mural em live painting, inspirado na obra do desenhista e ilustrador francês Jean Giraud, também conhecido como Moebius. A ourives Patricia Centurion apresenta criações em formatos e ângulos que revelam a natureza ainda bruta da ágata, do ouro e da prata.

“Essência” é a primeira de uma série de exposições que passam a ocupar o espaço da Brand4ideias, com objetivo de revelar a produção de novos artistas. No decorrer da exposição ocorrem atividades paralelas como workshops, palestras e debates.

Braind4ideas - Rua Groelândia, 808 - Jardim Europa - Tel. (11) 3372-1717. - Seg. a sex., das 14h às 22h.
www.brain4ideas. com.br
De 20 de junho
Até 26 de agosto






Exposição: JASPER JOHNS

Artista precursor da arte pop, ao lado de Robert Rauschenberg (apresentado no Instituto em 2009), também de quem foi inicialmente vizinho e amigo, Jasper Johns é protagonista e testemunha viva de um período da arte do século XX que, após o expressionismo abstrato, provocou as rupturas que até hoje pautam o pensamento contemporâneo.

A exposição, organizada pelo Instituto Tomie Ohtake e a Universal Limited Art Editions (ULAE), de onde grande parte dos trabalhos é proveniente, com o patrocínio do Deutsche Bank, traz um panorama da obra em gravura de Jasper Johns, com cerca de 70 peças concebidas a partir da década de 1960. Técnica fundamental na experiência pictórica do artista, que mantém, pela ULAE, uma impressora dentro de seu ateliê, a gravura teve início com as litografias produzidas a partir de 1960, quase imediatamente após a sua histórica individual de pintura, na Leo Castelli Gallery, em 1958, considerada seminal da pop art, e a coletiva 16 Americans , no MoMA, em 1959.

A mostra, com curadoria de Bill Goldston, diretor da ULAE, revela as experiências de Jasper Johns com a litogravura, gravura em metal e serigrafia enfatizadas pelo universo gráfico presente em suas obras, objetos banais, como bandeiras, números, letras, alvos, mapas etc. Segundo Tony Towle, poeta e antigo administrador da ULAE, que assina o texto do catálogo da exposição, os aspectos de adição e transformação, contidos no procedimento da litografia, influenciaram a maneira de pensar de Johns. Ao artista interessava um novo ponto de vista sobre as coisas vulgares, como dizia, pelo fato de “uma coisa não ser o que é, de ela se tornar qualquer coisa diferente daquilo que é”.

Nas pinturas de Johns figuram símbolos populares e, ao mesmo tempo, constituem um aglomerado de pigmento ou cera movimentado pelo gesto do artista, resultando em trabalhos em que os desenhos parecem saltar para fora das telas. Em suas gravuras, “as variações de cor e os modos de impressão combinados a partir de cada conjunto de matrizes deixam claro que o que vemos ao final são figuras e, também, são camadas de material pictórico manipulável como parte de uma experiência artística”, explica Paulo Miyada, coordenador do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake.

“A melhor crítica de uma figura é outra figura”, dizia Johns. Há 50 anos, Tatyana Grosman, fundadora da ULAE, o convidou a produzir litografias, pois apostava que a técnica poderia acrescentar outra dimensão à sua obra, que evoca figura e procedimento. O conjunto de trabalhos reunido nesta exposição atesta o que a editora vislumbrava nos anos iniciais da carreira do artista.

Jasper Johns (1930, Augusta, Georgia, EUA), antes da exposição que o consagrou na Leo Castelli, estudou na Universidade da Carolina do Sul e depois cursou escola de arte em Nova York. Prestou o serviço militar e regressou à cidade, onde sobrevivia através da venda de livros. No início dos anos 1960, fazia parte do grupo responsável pela efervescente produção artística nova-iorquina, convivendo, discutindo e trabalhando com outros ícones da cena cultural, como Merce Cunningham, John Cage e Robert Rauschenberg. Participou das edições 3, 4, 5 e 6 da Documenta (Kassel) . Em 1988 a sua obra em pintura é premiada na Bienal de Veneza. Em 1989, tornou-se membro honorário da Royal Academy em Londres. O MoMA , em Nova York , realizou sua grande retrospectiva, 1996. Até hoje vive e trabalha em Nova York.

Coincidentemente, no Brasil, artistas do grupo que compartilharam experiências com Jasper Johns estão no calendário cultural de 2012, como a exposição em comemoração ao centenário de John Cage, no MAM-RJ, e espetáculos do encenador Robert Wilson no SESC SP, em Porto Alegre e no Teatro Municipal de São Paulo.

Instituto Tomie Ohtake - Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) - Pinheiros SP Fone: 11.2245-1900 - Visitação: de 20 de junho a 26 de agosto de 2012, de terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca
De 22 de Junho
Até 19 de Agosto











VIDRA VIDA

A artista plástica Debora Muszkat apresenta uma instalação feita a partir de “lixo vidreiro” em São Paulo. Pela primeira vez, uma casa em São Paulo se transforma inteiramente numa instalação artística de vidro colhido no lixo. Há trinta anos trabalhando com vidro, a artista plástica Debora Muszkat expõe não só a intimidade da sua obra, mas a sua intimidade ao viver dentro da sua própria instalação de arte, aberta à visitação. As peças de vidro tomam do banheiro até o jardim, passando pelo quarto da artista, até a cozinha.

A artista apresentará uma instalação de grandes dimensões composta por uma estrutura de ferro e vidro em formato de uma ponte móvel no meio de um jardim de vidro e plantas. A obra ocupa uma área de 200m2 na casa-atelier da artista; um verdadeiro laboratório de pesquisa na transformação do vidro. A exposição, intitulada “Vidra Vida”, explora o jogo de reflexos e luzes que se criam a partir da intervenção de espelhos, água e objetos de vidro no espaço cotidiano. Através de uma experiência multi-sensorial – em que as instabilidades da imagem se duplicam e transmitem para o corpo do próprio espectador — a obra tematiza as relações sempre delicadas entre a técnica moderna e o meio-ambiente, assim como entre consumo e responsabilidade social.

O visitante poderá interagir com a obra atravessando ou “balançando” a ponte, criando movimentos por intermédio de sua estrutura móvel. Superfícies reflexivas espalhadas pelo local proporcionarão uma multiplicidade de ângulos pelos quais se pode apreender a interação de luzes, cores, reflexos e movimentos. Além disso, todos serão convidados a filmar, fotografar, gravar os sons e postar suas intervenções no Facebook, que terá pagina montada especificamente para este fim . Ainda no contexto da rede social, a artista junto ao jornalista Marcelo Coelho (que mediará debates ao longo da exposição) e outros participantes do projeto incentivarão discussões sobre temas subjacentes ao trabalho da artista, como o do papel da arte na contemporaneidade, na cultura, educação, cidadania e ecologia.

Nas palavras de Marcelo Coelho, Debora Muszkat “ não só recicla mais uma vez as garrafas de vidro industrial, mas também a obra de outro artista, o Claude Monet das `Ninfeias´ . Só que Monet é referenciado em um ambiente completamente diferente, nada rural e nada idílico, mas bastante contemporâneo, a piscina da casa da artista. A famosa ponte de Monet em Giverny ganha uma nova tradução numa estrutura de metal de mais de três metros de altura e cinco de comprimento. Na piscina, flores flutuando refletem a ponte, suas cores, o céu e a luz do dia. “O jogo de reflexos, entretanto, não se fará apenas por meio do elemento natural da água de um lago. Além da água da piscina, também o espelho – esse produto antiqüíssimo e também contemporâneo, industrial — fará o trabalho de refletir as cores, as flores de vidro imaginadas pela artista. E o que é o espelho, afinal, do que a “máquina imaginária” de reproduzir uma coisa igual a si mesma? Aquilo que a indústria faz todo dia, produzir o mesmo produto, sempre igual, indefinidamente, é simbolizado aqui nos pedaços de espelho que se refletem um ao outro, sem fim, num ciclo infinito de imagens. Debora Muszkat, nos leva a outro mundo – que é, finalmente, o nosso, e está ao alcance de todos, quando a visão estética e a preocupação ambiental dessa artista nos são capaz de conduzir, levemente, com delicadeza, nesse percurso de encontro, reencontro, reciclagem com nós mesmos.

O jornalista e educador Gilberto Dimenstein diz: “ a exposição é uma amostra sublime da união da ética - a sustentabilidade - com a estética. Ninguém sai indiferente desse mergulho sensorial. Ali, ficamos todos transparentes como se fôssemos de vidro ".

Na edícula da casa-atelier, funcionará uma "galeria" onde o público poderá apreciar e adquirir trabalhos recentes criados por Debora em parceria com o grupo de grafiteiros D10 (coletivo formado com ex- alunos do Projeto Aprendiz) e com o grupo de jovens da Oficina do Vidro, tais como pratos, copos, etc, entre outros utilitários.

Casa Vidra Vida - Rua Dr Rui Batista Pereira 125 – Caxingui - Funcionamento: Sexta-feira das 17h às 24h - Sábado das 14h às 20h - Domingo das 10h às 14h - Entrada Gratuita - www.deboramuszkat.com.br